Do seu lado.

Fazia frio e eu estava sem minha blusa. Por que diabos eu deixei ela em casa? Respirei fundo e tremi - eu estava congelando. Eu estava passando pelo park, aquele mesmo que fui salva pelo Peter. Ah, Peter. Fazia tempo que não o via, três semanas para ser exata. Será que aconteceu algo? Eu estava morrendo de saudade e preocupação. Tremi novamente, a cada rajada de vento era uma dor em meu corpo. Eu estava andando com dificuldade, eu não sabia que iria fazer tanto frio assim. Parei de andar e sentei num banco próximo, para recuperar o folego. E então senti braços quentes me abraçando, braços familiares. Olhei para aquele rosto tão belo.
 - Peter - sussurrei
 - Você está gelada Julie - disse ele com aquela voz angelical. - Venha - disse ele me levantando e começando a andar de mãos dadas comigo. E por mais incrível que parecesse, as mãos dele na minha não estava fazendo eu não sentir frio.
Logo chegamos em minha casa e ele pegou meu cobertor e me enrolou nele, me abraçando depois. Estava finalmente quentinha, nos braços de meu amado.
 - Você sumiu - disse eu
 - Desculpe, estive proibido de sair de lá e muitos ficaram de olho em mim.
 - E você já cumpriu seu castigo? - disse com enfase em castigo
 - Na verdade não, mas foi preciso sair hoje. Você iria morrer de frio...
 - Sempre me protegendo - disse abraçando-o
 - Sempre. Não importa se eu estou longe ou perto. Sempre estarei te olhando e cuidando de ti.
 - Eu te amo - sussurrei
 - Eu te amo mais - disse ele me apertando. E ficamos ali, em silêncio, durante algum tempo. Um silêncio conversando com o outro e ambos se entendendo. Até que ele disse  - Estão me chamando, preciso ir.
 - Ok - disse dando um beijo na testa dele
 - Te amo e lembre-se: sempre estarei do seu lado, mesmo que não possa ver. 
E então ele sumiu, me deixando quente e sozinha naquele quarto. Refletindo sobre a vida. Refletindo sobre ele, sobre nós.