Juro


Eu juro que eu estava bem. Juro que estou tentando seguir a vida normalmente. Juro que estou tentando ser forte. Juro que estou procurando não me importar. Também juro que uma hora cansa. Revivo todos os momentos aqui, as poucos, dia após dia. Revivo até o que era considerado "insignificante", e esse insignificante machuca. Devia ter ouvido minha amiga e não ter me jogado. Mas o amor é assim, não é? Um tiro no escuro. 

Simples


Gabriela olhou para o céu, estava lindo. O sol já estava se pondo e as aves cantavam. Estava caminhando sozinha na praia, imersa em seus pensamentos. Não queria estar ali, mas não podia estar aonde queria. Isso não era permitido mais. Não por ela, mas por ele. Ela começou então a lembrar do passado, a nostalgia bateu, ela olhou as ondas batendo nas rochas, sorriu e a lágrima escorreu. Aquele liquido salgado que ela já estava acostumada a sentir. Havia dias que não sabia o que era o calor de um corpo, um ombro amigo, um abraço apertado e palavras reconfortantes. Tinha decidido não contar para ninguém, guardar tudo para si mesma – as pessoas não precisavam ter mais um motivo para julga-la, as pessoas não precisavam saber que no fundo, ela não era tão forte quanto aparentava. Tudo que ela tinha que fazer era sorrir – era o bastante para as pessoas acreditarem que tudo estava bem, mesmo não estando. Mesmo com Gabriela querendo explodir. Mesmo com uma dor que não podia ser curada com qualquer remédio. Gabriela continuou a caminhar, molhou os pés, sorriu para o mar – se alguém a visse, iria vê-la feliz. Simples assim.

Maré

Todo dia ela chega em casa, e se pergunta: o que é que eu to fazendo aqui ? Todo dia chega do trabalho, olha pro lado sem saber pra onde ir, vê que a vida que leva não é a mesma, que planejou quando era feliz. Todo dia isso se repete, ela procura um motivo pra sorrir. Com o tempo a vida faz crescer e aceitar, que de repente tudo muda e troca de lugar, não se entregue e não deixe a maré te levar, só não deixe a maré te levar, com o tempo a vida faz crescer e aceitar.

Maré - Nx Zero
Dedicado a uma amiga minha que está em maus momentos.

Menina tola


E todo dia ela acorda cedo, feliz, na expectativa de que o hoje seja melhor do que o ontem. Começa a bolar planos, pensar em situações, imagina o depois. Sorri esperando que tudo dê certo. Quer que algo a surpreenda. Menina tola, deveria ter aprendido que não se deve criar expectativas, que não se deve esperar nada de algo ou de alguém. Menina teimosa. Mais quantas vezes ela irá deitar, olhar para o teto, suspirar pesado, pensar hoje poderia ter sido diferente, e querer dormir durante muito tempo, para perceber que quando se espera algo, somos decepcionados? O café esfria menina e a gente quebra a cara. Aprenda. 

Amor

"Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós."
Clarice Lispector


Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia.
Paulo Coelho.

Sou tudo ou sou nada

"Sou pessoa de dentro pra fora. Minha beleza está na minha essência e no meu caráter. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente.
Sou isso hoje...
Amanhã, já me reinventei.
Reinvento-me sempre que a vida pede um pouco mais de mim.
Sou complexa, sou mistura, sou mulher com cara de menina... E vice-versa. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar...
Não me dôo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos. Sou boba, mas não sou burra. Ingênua, mas não santa. Sou pessoa de riso fácil...e choro também!"

Tati Bernardi


Estaca zero

Chega aquele momento da vida em que você percebe que aquilo que almeja jamais será seu. Então você volta para a estaca zero.
Volta a querer poder controlar os sentimentos e optar por não sentir nada.

Texto da Dani Silva, do blog:





Humanidade

Jullie estava pensativa em seu quarto. Havia tempo que não via o Peter, e já estava com saudades - óbvio. Já era noite, quase madrugada, quando ela parou de andar e foi atpe a janela. Ficou observando a lua - estava linda. E por minutos ali ficou, até que sentiu um vento quente e agradável bater em seu rosto - sorriu e logo sentiu braços quentes abraçando-a.
 - Olá Peter
 - Olá Jullie - disse Peter beijando-a.
Estar nos braços dele era tão bom.
 - Fico feliz em te ver - disse Jullie.
 - Eu fico feliz em estar aqui com você, cada dia sem ti é uma eternidade para mim - Jullie sorriu.
 - Esta frio, não? - disse Jullie
 - Um pouco - disse Peter indo até a cama e puxando Julie para si. Ambos deitaram na cama e ele abraçou-a. Jullie parou de sentir frio. Como era bom estar ali naqueles braços quentes, com seu corpo colado ao dele. Peter começou a fazer carinho em Jullie e logo o sono veio. Não demorou para que Jullie dormisse, nos braços de Peter, onde ela mais gostava de estar. e então, pela primeira vez, Peter também dormiu  Estava se tornando humano cada vez mais.
E no quarto quente se via os dois abraçados, num sono profundo, numa madrugada de inverno.

Vida


O tempo é algo estranho, que passa rápido - muito rápido. Ontem você era uma criança, e hoje não mais. E amanhã você será idoso. Tudo está acontecendo num piscar de olhos. E conforme o tempo passa, vivemos tantas coisas, adquirimos tanta experiencia, guardamos tantas historias, tantas loucuras. Somos livros ambulantes que sempre surge uma pagina a mais, até que a ultime chegue, com a palavra morte no final. Não percebemos tais coisas até pararmos para refletir. Não percebemos que vivemos muito até uma certa idade. Não percebemos a quantidade de histórias que temos até conta-las a alguém. A vida é incrível. Tudo isso é incrível. De valor, pois a ultima pagina de seu livro pode ser amanhã. Ame, ria, chore e viva. Tenha boas histórias para contar e não se arrependa do que fizer - porque no final, todos acabamos da mesma forma, mas sua história pode ser diferente, você pode ser diferente, e ser diferente é bom

Dois dias da vida

A vida segue, não em sincronia com o tempo. Ela apenas segue.
Os dias nem sempre são preenchidos de felicidades, os sorrisos estão sempre presentes, porém, estão vazios. Muitos te olham nos olhos, entretanto ninguém reconhece a necessidade de um abraço.
Dizer que tudo está bem já faz parte da rotina e se tornou uma mentira tão mecânica que faz até parecer verdade.
Assim, nesses dias insípidos que se segue a vida.
E hoje, depois de muito tempo, eu chorei.

Sorrir


Certa vez me perguntaram o que me fazia sorrir, e fiquei pensando nisso. Não é preciso muito, um sorriso de uma criança, uma gargalhada de um bebê, um abraço apertado, um beijo na testa e muito chocolate. Sorrir de verdade não é complicado, as pessoas que são. Sorrir é simples. Sorrir de verdade é mostrar que a sua alma está feliz, é mostrar que algo está certo, é mostrar que tudo está bem. 

Album

 
Certa vez li que somos colecionadores de decepções - não concordo ao todo. A vida é como um grande album de figurinhas, cada página um tipo de tema e após completa-lá, ganhamos algo. 
As pessoas colecionam decepções, felicidades, amores, tristezas, alegrias e por ai vai, basta a pessoa decidir se ela vai querer completar o album inteiro ou só ficar numa página - lembre-se que o album completo pode ser recompensador.
Raphaela Barreto

Madrugada de Inverno

Jullie estava se preparando para dormir. Ela foi até a janela para fecha-la, mas mudou de idéia ao chegar no parapeito - a lua estava linda. Era lua cheia. Jullie ficou lá observando-a, automaticamente pensando em Peter. Sorriu com uma lágrima no rosto. Fazia tempo que não o via, tempo que não tinha noticias e tempo que não sonhava com ele. Jullie estava começando a ficar preocupada. "Será que ele está bem? E onde será que ele está?" - perguntava-se ela. Peter - sussurrou para a lua, porque uma certeza ela tinha, onde quer que Peter estivesse, estaria debaixo da mesma lua que ela observava agora, e ela sabia, que ele também estava pensando nela - não sabia como explicar, só sabia e sentia. Jullie olhou para a pulseira que ele lhe dera, estava mais brilhante essa noite e isso a fez sorrir mais uma vez. Jullie deu um ultimo suspiro, fechou a janela e deitou na cama. Não demorou muito para adentrar no incosciente, e para sua sorte e felicidade, sonhou com Peter, e este dizia que estava tudo bem. E na madrugada de inverno, no quarto escuro, podia se ver um sorriso brotar no rosto de Jullie.

Believe


Todos têm dias difíceis, todos choram, todos desabam uma vez. Mas isso passa. Todos uma hora começam a duvidar da vida e perguntar se ela vale mesmo a pena, mas isso passa. Todos já pensaram em desistir de tudo, pelo menos uma vez na vida, mas isso também passa. Porque a vida é assim, feita de momentos, ontem você estava feliz, hoje você está triste, e quem sabe amanhã você esteja feliz? Na vida tudo muda e tudo passa - nada é igual para sempre, tudo tem um ciclo. Porque o ontem é passado, o hoje é presente e o amanhã é futuro, e estes não se misturam. E o amanhã, só pertence a Deus, mas temos certeza de uma coisa: o sol nascerá de novo, o céu vai estar azul, alguns passarinhos vão cantar e quem sabe, tudo não esteja bem novamente. Coloque um sorriso no rosto, porque mesmo na escuridão, temos o poder de achar a luz e só fica no chão quem quer. As pessoas podem ser mais fortes do que pensam, basta acreditar.

Rapha Barreto

Palavras


Incrivel como as coisas podem mudar de uma hora para a outra. Um sorriso pode virar lágrima. Felicidade virar tristeza, insegurança e dúvida. Sei que é clichê dizer, mas será preciso: "1 minuto destrói 23hrs e 59min". Uma palavra mal falada, mal colocada na frases ou de duplo sentido podem estragar tudo. E quando sabemos que aquilo é dirigido para nós, é pior ainda. Talvez eu esteja sendo dramática demais, reconheço, mas se não fosse, não seria eu. Tinha que escrever tal coisa em algum lugar, qualquer modo de expressão liberta, ajuda e alivia. E cá estou eu. Simples assim - ou talvez não tão simples. 
...
Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de formar grandes sofrimentos e também de remedia-los. 
 - Alvo Dumbledore

"Vou ser sua, meu bem. Vou dormir e acordar ao teu lado, vou fazer o nosso café da manhã. Vou te obrigar a arrumar a cama e depois bagunça-la de novo. Vou te obrigar a me deixar ganhar no video-game e em tudo o que fizermos. Vou te abraçar apertado até você perder o ar. Vou te beijar lentamente sempre que der vontade. Vou escrever um texto enorme pra você. Vou ouvir suas músicas favoritas e vou cantá-las com você. Vou fazer carinho no seu cachorro e te trocar por ele quando ficar irritada com você. Alias, vou me irritar muito com você, só pelo prazer de te ver tentando me fazer voltar a falar com você. Vou bagunçar seu cabelo, sua roupa e sua cama. Vou ficar no sofá pra ver um filme com você. Vou deitar no teu ombro e te deixar mexer no meu cabelo. Vou te irritar, ah vou, mais que qualquer coisa. Eu vou te amar, meu bem, por um longo tempo."

Sol na primavera

Quando acordei estava no meu quarto. As lembranças do que havia acontecido foram voltando aos poucos. Peter. Dei um pulo da cama e me desequilibrei - não esperava a dor. Fui de encontro ao chão, mas braços quentes e fortes me seguraram. Ele me virou e nossos olhares se encontraram. Como era bom ver aqueles olhos novamente, sentir o calor do corpo dele. Meus olhos se enxeram de lagrimas e abracei-o com toda a força que ainda me restava. Abracei-o como se fosse a ultima coisa que eu iria fazer em minha vida.
 - Calma - disse Peter.
 - Eu senti tanto a sua falta - eu disse entre soluços. Ele me pegou e me levou para a cama. Ele se sentou e eu encostei no peito dele.
 - Eu também, mas a agora estou aqui. Pare de chorar Julie - disse ele enxugando minhas lágrimas.
 - Peter eu fui uma burra em fazer aquilo, eu... eu só queria que parassem de te machucar, mas...
 - Ta tudo bem agora. Eles me deixaram te ver agora, quer dizer, deixaram você me ver. Em nenhum minuto sequer me afastei de você e... me desculpe por chegar tarde hoje.
 Eu continuei a chorar, mas não era de trsiteza, e sim de felicidade.
 - Ta tudo bem Julie - disse ele.
 - Eu te amo Peter - sussurrei no ouvido dele. Ele então tocou minha testa e cada pedacinho do meu corpo parou de doer. Fiquei quente. - Obrigado - disse sorrindo. Ele olhou em meus olhos, sorriu e me beijou. Não estava esperando por aquilo, mas foi bom. Me entreguei. Quando dei conta, já estava sem folego.
 - Vá com calma - disse Peter rindo.
 - Eu to calma - disse rindo também. - Senti tanto a sua falta - disse abraçando-o.
 - Eu tambémsenti sua falta, mas... tenho que ir. Já fiquei tempo demais. - disse ele se levantando.
 - Você vai voltar?
 - Eu sempre volto - disse ele sorrindo - Te amo - disse ele antes de partir.
 - Também te amo - disse sorrindo. E então ele se foi, deixando me só, ali no meu quarto, presa em meus pensamentos e em sentimentos de felicidade. Tudo estava bem agora. Tudo ia ficar bem. Sorri e fui para minha janela, o sol estava se pondo. A paisagem era linda. De repente, tudo era lindo novamente - como um dia ensolarado na primavera. 
A dança é um livro para o que sabem ler com o coração. 
 - Raphaela Barreto.

Peter.

Estava eu saindo da escola e indo para a casa. Ao virar a esquina me deparo com um grupo de homens um tanto estranhos. Não estava com um bom pressentimento. Na rua não havia ninguém - coloquei a mão sobre minha pulseira e continuei meu caminho.
 - E ai gatinha - disse um dos homens se aproximando. Droga pensei.
 - O que temos aqui Rich? - disse outro cara em tom sarcástico, conversando com o primeiro. Continuei andando, mas um terceiro homem pegou meu braço e me segurou.
 - Para onde pensa que vai?
 - Se não me soltar irei gritar - disse
 - Grite então - disse Rich rindo. Me preparei para gritar, mas tamparam minha boca. Eu mordi a mão dele e ele me deu um soco. Caí no chão.
 - O que vocês querem? - perguntei com medo.
 - Tudo o que você tem - disse um dos homens. Um deles veio em minha direção e pegou minha bolsa. Eu queria correr, mas estava cercada - havia 6 homens.
 - Felipe, quer ter as honras? - disse Rich para Felipe, se referindo a mim. Um homem, parecia o mais novo, veio em minha direção;
 - Levanta! - disse ele. Eu levantei e ele começou a me puxar.
 - Para onde está me levando? - minha voz transparecia medo. O cara riu. Ele começou a me levar para um galpão. Comecei a gritar.
 - Cala a boca! - disse ele me dando um tapa. Continuei a gritar - Eu mandei você calar a boca! - disse ele me dando um soco no estomago. Parecia que o ar tinha escapado. Cai no chão. Já estávamos dentro do galpão. Ele pegou uma barra de ferro e veio em minha direção.
 - Por favor - disse com lagrimas nos olhos. Lembrei da minha família, do Peter, das minhas amigas... Então a barra de ferro me atingiu. Gritei. A dor era insuportável. Ele bateu na minha perna. Gritei. Então meu pulso começou a arder. A pulseira começou a brilhar. Ele bateu com a barra na minha cabeça. Minha visão começou a escurecer. Estava ansiando pela próxima batida, quando ouvi um barulho. Antes de desmaiar, uma voz familiar chamou meu nome. Peter. Sorri e então, tudo ficou negro. Eu sabia que estava segura agora.


Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único, espero que um dia você junte-se a nós e o mundo viverá como um só.

Todos temos um lado que ninguém conhece. Mas independente do que você for fazer, seja você mesmo. Sempre.
Raphaela Barreto
Gosto de questionar e de criticar, mas com bons argumentos.
 - Raphaela Barreto
 - Você quer um final feliz?
 - Não.
 - Não?- perguntou ela incredula.
 - Não. Odeio finais.

Fantasmas e Monstros

Arrumei meu quarto, coloquei o pijama e deitei na cama. Os dias estavam sendo normais e monótomos. Havia um vazio aqui dentro de mim que ninguém conseguia preencher - só ele, mas ele estava longe daqui. Ou talvez estivesse mais perto do que eu imaginasse. Sinto tanta falta do Peter. Chega a doer. Não há um dia que eu não pense nele, como também não há uma noite que eu não tenha pesadelos. Tudo mudou depois que eu disse adeus. Mas eu não queria dizer adeus. Me pergunto como ele está agora, se esta bem, onde ele está... lógico que não recebo nenhuma resposta. As vezes pergunto-me, se tudo aquilo foi real, então olho para meu pulso e vejo aquela pulseira e lembro-me de que tudo não foi um sonho de inverno. Lembro-me do que passamos juntos, das risadas, das discussões, de ele sempre me salvar... droga, nem acredito que estou chorando - mais uma vez, pra variar. E como sempre, lá fora começa a chover. De alguma forma eu sei que ele continua me olhando, continua me protegendo, só que não o vejo e talvez nem seja melhor ver. Respiro fundo. O sono me toma, e não consigo lutar contra ele, dizem que depois de chorar temos sono. Hora de brigar com meus fantasmas e montros. Hora de dormir. Boa noite Peter - sussurro e como resposta recebo uma rajada de vento em minha janela.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever.
- Clarice Lispector

Adeus.


Todos se vão um dia. Uns mais cedo, outros mais tarde, e tudo o que fica é a saudade e as lembranças. Dizer adeus não é fácil, mas é preciso. E quando sentir saudades, é só vasculhar em sua mente um pedacinho da pessoa. Um momento com ela. E comigo não vai ser diferente. Jamais irei esquecer do sorriso dele, dos palavrões, dos xingamentos, das piadas e daquele jeito unico e especialmente de ser. Jamais irei esquecer daquele que brigava com sua mulher e que no momento seguinte estava beijando-a. Daquele que se emocionava facilmente e que fez tudo o que queria enquanto podia. Sentirei falta. E aqui, me despeço de José Gama, mais conhecido como vovô, que aos 88 anos foi para uma melhor, deixando filhos, netos, bisnetos, genros, esposa - deixando a familia. Te amo vovô.

Mais de 50 anos ao lado dele. Sabia de todos os seus defeitos, de todas as suas qualidades. Sabia de tudo o que tinha que saber. Sem segredos. Os dois haviam se tornado um há muito tempo. E era assim mesmo que tinha que ser. Mas o tempo passa e a idade também. Os problemas vêm e a saúde piora. Mesmo assim, um nunca abandona o outro. Porque as coisas são assim quando o amor é verdadeiro: Nada os separa. Nem a morte. Por ora os dois estão lá, lado á lado. Como eu queria que fosse pra sempre. Mas não é. Fazer o que. 


Anota num papel e cola na geladeira: Desapegue dos detalhes. Gargalhe. Não se importe. Seja egoísta. Confie em você.
Tati Bernardi     

Trágico

Julie acordou depois de uma tarde chuvosa. Tinha dormido para esquecer as coisas, esquecer seus problemas, seus erros e seus tormentos. Mas como sempre, ao abrir os olhos tudo voltava. Ela sentia falta dele, onde quer que ia, ou olhava via um pedaço dele. Tudo a fazia lembrar dele. Não sabia se o que tinha feito era certo, não sabia se era normal se sentir um caco por dentro, não sabia de nada e nem procurava saber. Parecia um zumbi, definhando cada vez mais com o tempo. Queria ele de volta, anseiava por seus abraços e o gosto da boca dele ainda permanecia em seus lábios. Claro que Julie fizera tudo pensando nele, e se esquecera do que isso iria causar nela. Notou que ele era uma droga para ela. Agora as coisas eram diferentes e ela iria ter de se acostumar. Olhou para o pulso, onde a pulseira brilhava, não percebendo a lágrima cair. Foi até a janela e olhou para além do horizonte. O crepusculo começara agora e o sol não passava de uma forma esférica morrendo no horizonte. Era lindo. Todo dia a mesma coisa. Nascia, movia-se pelo céu, e morria. Uma dádiva da natureza. Julie queria ser assim. Uma dádiva. Sorriu involuntariamente. Sorrir era bom e acalmava o coração. Julie resolveu deitar de novo. Amanhã o sol iria nascer de novo. O céu iria se iluminar. Haveria um novo recomeço. E sempre seria assim, até o fim dos tempos chegar. E Julie? Bem, Julie lá estaria, olhando tudo, como uma boa observadora, como uma boa espectadora, de seu próprio show, esperando essa história, não ter um fim trágico.

Permita-se por um momento sonhar.

Lá estava ela de novo, na floresta. Fazendo trilha como sempre. Ah, como ela adorava fazer trilha, mas isso não era o principal motivo de ela estar ali. Rosie queria perder-se novamente em seus devaneios, queria ir mais fundo em sua imaginação. Distanciou-se novamente da trilha, indo ao local desejado. Feche os olhos e abra a mente Rosie - disse á si mesma. E então, como um passe de magica, tudo mudou. A grama se tornou mais verde, o céu mais azul, as montanhas se elevaram e os rouxinóis começaram a cantar, juntamente com as cotovias. As árvores pareciam sorrir e as nuvens formavam desenhos magnificos. Rosie estava deslumbrada. Ia andando e adentrando em seu inconsciente, que cada vez parecia mais lindo. Mas não era exatamente isto que ela queria ver. Foi até o rio, que outrora visitara, e olhou dentro dele, cujas pedras eram coloridas. Esperava ver aquele... garoto? Ou seria um homem já? Enfim, queria vê-lo. Olhava para baixo e nada. Ficou varios minutos ali, olhando e comtemplando o rio, e apesar de querer mais que tudo vê-lo, ele não aparecia. Já havia perdido as esperanças, levantou-se então e começou ir em outra direção, parecia que nem tudo era sua mente que controlava. Quando deu um passo na direção oposta, ouviu um barulho vindo do lago, Rosie então, virou-se repentinamente. E ali estava ele. Lindo. Rosie se aproximou de vagar.
 - Oi - disse ela timidamente
 - Olá - disse ele sorrindo
 - Quem é você?
 - Meu nome é Alex, e você é a Rosie certo?
 - Sim, como... como você sabe?
 - Você me criou, e tudo mais que está aqui. Somos parte de sua imaginação, alguns contralavéis e outros não.
 - Como você, certo?
 - Sim.
 - Mas como isso é possivel? - perguntou Rosie confusa
 - Cada coisa no seu tempo Rosie. Por ora você só deve saber isso e não se preocupe, você irá desvendar as coisas pouco a pouco. Sua mente pode ser surpreendente e ter mais coisas do que você julga possivel, você só tem que abrir as portas.
 - E você vai me ajudar?
 - Um pouco, mas você irá ter que fazer as coisas por seus própios pés.
 Rosie estava confusa e excitada ao mesmo tempo. Não sabia ao certo quem era aquele cara, só sabia que vinha de sua mente e estava louca para descobrir os misterios de sua mente. Ela suspirou.
 - Você pode sair da água? - perguntou ela curiosa
 - Posso, mas não hoje - disse ele vendo que ela iria pedir para ele sair da água. - Talvez outro dia.
 - Ok - disse ela.
 - Você tem que ir Rosie, está ficando tarde e o tempo aqui é diferente do de seu mundo.
 - Ok, amanhã eu volto.
 - É só abrir a a mente - disse ele mergulhando novamente.
Ela então fechou os olhos e lutando contra sua vontade de ficar ali, saiu de sua mente. Quando abriu os olhos, estava novamente na frente do lago sem vida. Rosie estava pesando ainda no que havia escutado. Ela estava maravilhada. Começou a ir para casa novamente. Pensando Sua mente pode ter mais coisas do que você pode imaginar, ela é complexa e simples ao mesmo tempo. É só se permitir por um momento sonhar.

O impossível é o limite da sua imaginação.

Ela estava no meio da floresta. Havia feito trilha como de costume, mas desta vez havia se distanciado do caminho. Queria experimentar algo. "Feche os olhos e abra a mente" haviam lhe dito, e foi o que ela fez.
Rosie fechou os olhos, se concentrou, o mundo era bem mais divertido com um toque de magia. Abriu sua mente, como também o fez com os olhos. O mundo já não era o mesmo. O que antes eram borboletas, agora eram fadas. Flores viraram casinhas, as arvores se tornaram encantadas, as flores cantavam uma melodia que só elas sabiam entoar, o sol já brilhava de um jeito diferente, e as formigas já eram diferentes. 
Ela começou a andar pelo bosque, e a cada passo se surpreendia cada vez mais. Logo um lago apareceu, vindo de uma cachoeira esplendida, dentro d'água se viam peixes coloridos, animaizinhos que mudavam de cor, algas magnificas. Pétalas rosas voavam em volta dela, tudo era tão lindo. O mundo lá fora já não parecia existir. Tudo ali era perfeito. Poderia ser tudo o que quisesse, fazer tudo o que quisesse. O céu era de um tom rosado, e o sol morria lindamente atrás das montanhas. Magnifico pensou. Andou até achar um rio, chegou perto, a água era cristalina e havia pedras coloridas no fundo. E então de repente, algo começou a vir do fundo, era azul. Quando um corpo humano emergiu ela se assustou e depois ficou maravilhada. Ele era lindo, branco de cabelos pretos e olhos de um azul profundo, jamais visto. Se aproximou dele e olhou dentro d'água, onde deveria haver pernas havia uma calda, da cor dos olhos. E como havia aparecido, rapidamente mergulhou e sumiu. 
 -Espere - ela gritou, mas nada mais adiantava, ele já havia ido. O celular dela tocou, a concentração sumiu, e de repente ela se viu diante de um pequeno lago, sem vida. Já era quase de noite e tudo voltou a ser como era antes. Droga de celular. Queria continuar ali, flutuando em sua imaginação, mas já era tarde e resolveu ir embora. Sabia que iria voltar, queria mergulhar mais fundo dentro de sua mente. Afinal, o impossível é o limite de sua imaginação.  

Diferente



"Não consigo ser como todo mundo, não sei pensar igual. Não consigo ser normal; aliás, ninguém é normal. Eu amo do meu jeito, amo diferente, mas sinto o que todos sentem. Não consigo bancar a romântica, muito menos a bobinha apaixonada. Não consigo ser doce, não pense que sou amarga, mas ser doce demais é enjoativo. Eu gosto de carinho, abraço apertado e cafuné, só não gosto de "chiclete". Gosto de ter o meu espaço. Não caio em qualquer lábia, não acredito em qualquer conversa. Um sms de madrugada me encanta, mas não me convence. Palavras bonitas, realmente me deixam boba e sem graça, mas atitudes verdadeiras me fascinam. Meu coração é fechado demais, mas ele já foi muito aberto. Contos de fadas não são pra mim; as historias são bonitas demais, românticas demais, mas tem um final, e eu odeio finais. Não sou uma pessoa romântica, mas eu sei romantizar as vezes, sei fazer carinho, sei cuidar, sei fazer cenas de ciumes e dar beijinhos apaixonados. Não consigo amar como todo mundo, eu sou confusa, sou complicada. Mas quando amo, eu amo pra valer, e não esqueço rápido. Ao contrario de muita gente, meu amor não é passageiro. Não falo 'eu te amo' pra todos, mas quando falo, não é da boca pra fora, é de coração.” 


Eu não vim até aqui pra desistir agora
entendo você se você quiser ir embora
não vai ser a primeira vez
em menos de 24 horas
mas eu não vim até aqui pra desistir agora

A ilha não se curva noite a dentro vida afora
toda a vida, o dia inteiro
não seria exagero
se depender de mim eu vou até o fim

Lindo Sol

Eu estava num campo de flores. A paisagem era linda, mas o que me tirava o folego, era ele parado bem ali na minha frente, mas havia algo de errado. Ele estava sob a sombra de uma árvore, e de lado ainda. Eu sabia que estava mais uma vez dentro dos meus sonhos.
 - Olá - eu disse a ele
 - Olá Julie, como vai você?
 - Estou bem e... você? - perguntei me aproximando. Ele não me respondeu, apenas saiu da escuridão da arvore. O rosto dele estava machucado. Havia alguns cortes que estavam quase sumindo e o pescoço estava roxo.
 - Peter, o que... o que aconteceu? - perguntei indo correndo para onde ele estava. Passei a mão no rosto dele. Estava quente como sempre, e macio... Mas havia algo errado.
 - O que você acha? Meu castigo ainda não está todo comprido - disse ele olhando no horizonte
 - Peter eles não podem ficar te machucando deste jeito, olhe só para você. Você só está assim por me proteger! - você só está assim por mim, pensei isto, mas não disse.
 - Julie te proteger é diferente de querer somente te proteger. É diferente de te amar. É diferente...
 - Então o que é igual para eles? O que eles querem Peter? - perguntei com lagrimas nos olhos. Não suportava vê-lo machucado. Não suportava vê-lo triste. E não suportava a ideia de que tudo aquilo era culpa minha. Ele me abraçou.
 - Julie não fique assim, tudo vai ficar bem.
 - Não, não vai Peter - disse começando a me afastar dele. Olhei para meu pulso, onde a pulseira  estava. Eu tinha que fazer aquilo. O Peter não podia mais sofrer por minha causa. - Peter, eu te amo - disse olhando nos olhos dele - E nunca irei te esquecer - eu estava somente a meio passo de distância dele - Mas por ora é...
 - Não Julie - disse ele percebendo a onde eu queria chegar. Eu neguei com a cabeça.
 - Não Peter. Você... você sabe que eu só quero o teu bem, mesmo que isto custe a minha felicidade. Por ora é melhor nos afastarmos.
 - Eu não posso fazer isso Julie
 - Sim, você pode - disse me aproximando mais dele - Por favor, Peter. Por mim e por você.
  E então fiz o que eu já deveria ter feito há muito tempo. Terminei com a pequena distância que havia entre nós. Coloquei uma mão na nuca dele ao mesmo tempo que nossos lábios se tocaram. Eu o havia surpreendido, mas mesmo assim, ele passou um braço em volta da minha cintura e retribuiu o beijo. O toque dele era quente. O beijo era gostoso, bom. Os lábios dele eram quentes, macios e gentis. Diferente de tudo e de todos.
  Me afastei repentinamente. Ele tocou minha pulseira, e ela brilhou.
 - Adeus - disse com uma lagrima escorrendo pelo rosto. Fechei meus olhos com força e quando os abri novamente, estava no meu quarto, na minha cama. Sentei nela e comecei a chorar. Chorei por mim, por ele, por nós, por tudo. Logo um trovão soou lá fora e a chuva começou a cair. Eu sabia que era ele. Fui até a janela e a abri. A chuva começou a molhar meu rosto, e quando coloquei minha mão para fora e uma gota caiu em minha pulseira, ela brilhou.
 - Peter - sussurrei, sorrindo e chorando ao mesmo tempo. Fechei a janela e deitei novamente em minha cama. Tudo iria passar, como a chuva lá fora. Amanhã de manhã tudo estaria bem, com um Lindo Sol.