Diferente



"Não consigo ser como todo mundo, não sei pensar igual. Não consigo ser normal; aliás, ninguém é normal. Eu amo do meu jeito, amo diferente, mas sinto o que todos sentem. Não consigo bancar a romântica, muito menos a bobinha apaixonada. Não consigo ser doce, não pense que sou amarga, mas ser doce demais é enjoativo. Eu gosto de carinho, abraço apertado e cafuné, só não gosto de "chiclete". Gosto de ter o meu espaço. Não caio em qualquer lábia, não acredito em qualquer conversa. Um sms de madrugada me encanta, mas não me convence. Palavras bonitas, realmente me deixam boba e sem graça, mas atitudes verdadeiras me fascinam. Meu coração é fechado demais, mas ele já foi muito aberto. Contos de fadas não são pra mim; as historias são bonitas demais, românticas demais, mas tem um final, e eu odeio finais. Não sou uma pessoa romântica, mas eu sei romantizar as vezes, sei fazer carinho, sei cuidar, sei fazer cenas de ciumes e dar beijinhos apaixonados. Não consigo amar como todo mundo, eu sou confusa, sou complicada. Mas quando amo, eu amo pra valer, e não esqueço rápido. Ao contrario de muita gente, meu amor não é passageiro. Não falo 'eu te amo' pra todos, mas quando falo, não é da boca pra fora, é de coração.” 


Eu não vim até aqui pra desistir agora
entendo você se você quiser ir embora
não vai ser a primeira vez
em menos de 24 horas
mas eu não vim até aqui pra desistir agora

A ilha não se curva noite a dentro vida afora
toda a vida, o dia inteiro
não seria exagero
se depender de mim eu vou até o fim

Lindo Sol

Eu estava num campo de flores. A paisagem era linda, mas o que me tirava o folego, era ele parado bem ali na minha frente, mas havia algo de errado. Ele estava sob a sombra de uma árvore, e de lado ainda. Eu sabia que estava mais uma vez dentro dos meus sonhos.
 - Olá - eu disse a ele
 - Olá Julie, como vai você?
 - Estou bem e... você? - perguntei me aproximando. Ele não me respondeu, apenas saiu da escuridão da arvore. O rosto dele estava machucado. Havia alguns cortes que estavam quase sumindo e o pescoço estava roxo.
 - Peter, o que... o que aconteceu? - perguntei indo correndo para onde ele estava. Passei a mão no rosto dele. Estava quente como sempre, e macio... Mas havia algo errado.
 - O que você acha? Meu castigo ainda não está todo comprido - disse ele olhando no horizonte
 - Peter eles não podem ficar te machucando deste jeito, olhe só para você. Você só está assim por me proteger! - você só está assim por mim, pensei isto, mas não disse.
 - Julie te proteger é diferente de querer somente te proteger. É diferente de te amar. É diferente...
 - Então o que é igual para eles? O que eles querem Peter? - perguntei com lagrimas nos olhos. Não suportava vê-lo machucado. Não suportava vê-lo triste. E não suportava a ideia de que tudo aquilo era culpa minha. Ele me abraçou.
 - Julie não fique assim, tudo vai ficar bem.
 - Não, não vai Peter - disse começando a me afastar dele. Olhei para meu pulso, onde a pulseira  estava. Eu tinha que fazer aquilo. O Peter não podia mais sofrer por minha causa. - Peter, eu te amo - disse olhando nos olhos dele - E nunca irei te esquecer - eu estava somente a meio passo de distância dele - Mas por ora é...
 - Não Julie - disse ele percebendo a onde eu queria chegar. Eu neguei com a cabeça.
 - Não Peter. Você... você sabe que eu só quero o teu bem, mesmo que isto custe a minha felicidade. Por ora é melhor nos afastarmos.
 - Eu não posso fazer isso Julie
 - Sim, você pode - disse me aproximando mais dele - Por favor, Peter. Por mim e por você.
  E então fiz o que eu já deveria ter feito há muito tempo. Terminei com a pequena distância que havia entre nós. Coloquei uma mão na nuca dele ao mesmo tempo que nossos lábios se tocaram. Eu o havia surpreendido, mas mesmo assim, ele passou um braço em volta da minha cintura e retribuiu o beijo. O toque dele era quente. O beijo era gostoso, bom. Os lábios dele eram quentes, macios e gentis. Diferente de tudo e de todos.
  Me afastei repentinamente. Ele tocou minha pulseira, e ela brilhou.
 - Adeus - disse com uma lagrima escorrendo pelo rosto. Fechei meus olhos com força e quando os abri novamente, estava no meu quarto, na minha cama. Sentei nela e comecei a chorar. Chorei por mim, por ele, por nós, por tudo. Logo um trovão soou lá fora e a chuva começou a cair. Eu sabia que era ele. Fui até a janela e a abri. A chuva começou a molhar meu rosto, e quando coloquei minha mão para fora e uma gota caiu em minha pulseira, ela brilhou.
 - Peter - sussurrei, sorrindo e chorando ao mesmo tempo. Fechei a janela e deitei novamente em minha cama. Tudo iria passar, como a chuva lá fora. Amanhã de manhã tudo estaria bem, com um Lindo Sol.