Tempestade.


A chuva cai forte lá fora e os trovões mostram quem é que manda, mas a verdadeira tempestade vinha de dentro. Estou saturada de tudo já, as cobranças de um lado e as incertezas do outro e um longo caminho oculto a frente. As vezes sinto que falho com quem mais amo, mas a briga aqui dentro está maior e o meu maior refugio de tudo isso não está aqui para poder afastar meus medos e dizer que tudo vai ficar bem. Suportar tudo sozinha não é fácil, e ser forte as vezes dói. Meu segundo refugio são as palavras, que pouco mostram a turbulência que aqui se dentro se passa. A unica coisa que espero ultimamente é que tudo fique bem, e tem que ficar

Passado



Caminhei sozinha em silêncio pela rua deserta, a respiração entrecortada, o vento batia, mas o frio não vinha de fora. Quantas outras vezes eu passei por ali, protegida do frio por algo melhor que uma blusa. Flashes do passado inundaram minha mente turvando minha visão. Não, eu não iria passar por aquilo de novo. Respirei fundo e recuei tudo o que espreitava sair. Continuei a caminhar sem olhar para trás, tudo ficaria ali, havia passado já e desses dias não pertencia mais. O caminho daqui pra frente é longo e complicado, mas não seria atormentado por fantasmas do passado.

Frio


Estou com medo, um aperto tenho aqui dentro e uma frieza incontrolável se espalha. Queria você aqui para me abraçar e afastar todos os meus pesadelos. Sentir seu corpo quente ao meu e sua boca se moldando a minha mais uma vez. Sentir toda a preocupação se esvaindo do meu corpo dando lugar a um calor maravilhoso. Queria sentir você aqui novamente, mas agarro-me a ideia de que tudo ocorre por uma razão e ainda estou tentando achar o senso de tudo isso. Sinto sua falta em cada centímetro de mim, desculpe, mas do que mais sinto falta mesmo, é de quem eu era e é aterrador ver o que estou me tornando. 

Metades

“Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio. Porque metade de mim é partida, mas a outra metade é saudade. Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo. Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei. Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço. Porque metade de mim é amor e a outra metade também.”
— Oswaldo Montenegro.

Amor


Olhei-o e nossos olhares se encontraram, eu estava sorrindo e a expressão dele era tranquila. Ele estava bem ali na minha frente, mas a distância era infinita. Queria quebrar aquela barreira, colocar a cabeça dele no meu colo e lhe fazer carinho. Olhar em seus olhos e deslizar suavemente minha mão pelo seu rosto. Queria cuidar dele. E observando o cenário em que me encontrava, o que mais queria mesmo, era estar dentro do abraço dele, sentindo me protegida e esquecer todos os problemas mundanos. Lagrimas me vieram aos olhos, mandei elas recuarem, mas tarde lidaria com elas, agora não. Continuei a sorrir enquanto por dentro uma tempestade ia se formando. Maldita saudade, lembranças e nostalgia

Silêncio

Sentei-me ao meio fio, as lágrimas lutavam para sair. A vida de longe não era nem um pouco fácil e tudo fica pior quando perdemos alguém que amamos. E as pessoas parecem não notar, fecham os olhos e focam apenas naquilo que querem, sem visões laterais ou paralelas. Tudo o que eu sentia era um aperto gigantesco aqui no peito, que ia me consumindo cada vez mais. Senti então que alguém se aproximava, olhei para o lado e uma figura alta vinha em meu encontro, reconheci-o na hora. Pele morena, cabelos castanhos escuro, olhos que na luz adquiriam um castanho maravilhoso, calça jeans surrada e uma camiseta básica. Sentou-se ao meu lado. Olhei nos olhos dele e ele apenas assentiu, era complicado descrever nossa relação, mas sabíamos nos ler apenas com um olhar. Ele me abraçou forte com seus braços quentes e então deixei as lágrimas rolarem – já havia segurado por muito tempo. E quanto mais eu chorava, mais ele me apertava contra si – era reconfortante. E o silêncio que se seguia não era incomodador, tão pouco estranho, era bom, e havia mais palavras ditas ali do que em qualquer outra conversa. Ele relaxou mais os braços, olhou em meus olhos, “tudo vai ficar bem” disse, me deu um beijo na testa e me apertou mais contra sim. Essas palavras soam como música em nossos ouvidos quando tudo está desmoronando. E assim ficamos, sob a luz da lua, um aos braços do outro, deixando o silêncio dizer tudo que era necessário.

Consciente


Gabriela estava sentada na varanda de seu quarto, olhando a lua e sentindo o ar da noite envolve-la. Estava com saudade dele. Estava com saudade dos braços quentes dele em volta dela. Dos beijos suaves. Dos sorrisos. Estava com saudade do perfume dele que tantas vezes havia ficado em sua própria roupa. Estava com saudade do encaixe perfeito de suas mãos. Ela sorriu lentamente, lembrando de algumas coisas. Queria ele ali para abraça-la. Queria o calor do corpo dele contra o seu. Queria se sentir protegida. Gabriela levantou e caminhou até a cama, se jogou nela e logo prendeu o travesseiro entre seus braços, apertando-o contra o coração. Seria mais uma noite se sentindo vazia. Seria mais uma madrugada em que seus pensamentos iriam tortura-la. Gabriela desejou somente dormir. Pegou os fones de ouvido e colocou a música no máximo, tentando abafar os pensamentos e as lembranças que já começavam invadir sua mente. Respirou fundo e fechou os olhos. Hoje não pensou ela. Logo estava imersa em um mundo sem sonhos, protegida de tudo que estava no mundo - protegida do seu consciente

Conto de fadas

Jullie respirou fundo e se olhou no espelho, não reconhecendo si mesma - estava linda. Usava um vestido rosa que dava um contraste notável em sua pele branca, os saltos altos brilhantes davam a ela elegância, os cabelos estavam arrumados e a maquiagem era leve. Há tempos se preparava para aquele dia, finalmente o baile de Inverno da escola. Finalmente uma noite de conto de fadas com Peter - não que se importasse com isso, sua vida toda já era um livro que parecia nunca chegar ao "felizes para sempre", mas não ia pensar nisso. Peter já a esperava no pé da escada quando desceu - ele estava magnificamente lindo naquele smoking e sorriu quando viu Jullie, o que a deixou sem fôlego. 
 - Oi Peter - disse Jullie sorrindo.
 -Jullie - disse ele suavemente como cumprimento, pegando a mão de Jullie que estava envolta numa luva, e beijou-a. Tudo isso lembrava incrivelmente um filme de época. Sem demora, eles foram para o baile, a noite estava incrivelmente linda, e havia um toque magico em tudo. 
 - Você está linda - disse Peter olhando nos olhos de Jullie.
 - Você está mais - disse Jullie sorrindo - Você não terá problemas em ficar aqui? - Jullie sabia dos riscos que corriam. 
 - Cuidarei disso depois, essa será nossa noite de conto de fadas - disse ele. Mesmo assim, Jullie estava preocupada com o que poderia acontecer depois com ele, vê-lo machucado fazia-a quebrar por dentro. Mas como ele disse, essa seria a noite de conto de fadas deles, tudo estaria bem, e não era hora de pensar em coisas ruins - era hora somente de se divertir e guardar cada momento com ele. Era hora de se divertir sem pensar no amanhã, e sorrir como se o mundo pudesse acabar a qualquer momento. Jullie sentia-se extramente feliz de estar ali. Quando uma música lenta começou a tocar, Peter puxou-a mais para si e começaram a dançar.
 - Eu amo você Jullie - sussurrou em seu ouvido. Jullie deu um beijo suave nele.
 - Eu também amo você Peter - ambos sorriram e ficaram ali dançando, juntinhos, como se o resto não existisse e só o agora importasse. O amor faz isso com as pessoas, e um amor como o deles, que ultrapassavam os limites entre certo e errado, céu e inferno, não deve passar despercebido. A noite passou tão rápido e agradável quanto começara e conforme as horas avançavam, tudo ficava cada vez melhor. Quando se ama, estar com a pessoa amada de noite debaixo de um céu estrelado com uma lua magnifica, é maravilhoso, e por sorte, Jullie estava tendo tudo aquilo, naquele momento.