Sol na primavera

Quando acordei estava no meu quarto. As lembranças do que havia acontecido foram voltando aos poucos. Peter. Dei um pulo da cama e me desequilibrei - não esperava a dor. Fui de encontro ao chão, mas braços quentes e fortes me seguraram. Ele me virou e nossos olhares se encontraram. Como era bom ver aqueles olhos novamente, sentir o calor do corpo dele. Meus olhos se enxeram de lagrimas e abracei-o com toda a força que ainda me restava. Abracei-o como se fosse a ultima coisa que eu iria fazer em minha vida.
 - Calma - disse Peter.
 - Eu senti tanto a sua falta - eu disse entre soluços. Ele me pegou e me levou para a cama. Ele se sentou e eu encostei no peito dele.
 - Eu também, mas a agora estou aqui. Pare de chorar Julie - disse ele enxugando minhas lágrimas.
 - Peter eu fui uma burra em fazer aquilo, eu... eu só queria que parassem de te machucar, mas...
 - Ta tudo bem agora. Eles me deixaram te ver agora, quer dizer, deixaram você me ver. Em nenhum minuto sequer me afastei de você e... me desculpe por chegar tarde hoje.
 Eu continuei a chorar, mas não era de trsiteza, e sim de felicidade.
 - Ta tudo bem Julie - disse ele.
 - Eu te amo Peter - sussurrei no ouvido dele. Ele então tocou minha testa e cada pedacinho do meu corpo parou de doer. Fiquei quente. - Obrigado - disse sorrindo. Ele olhou em meus olhos, sorriu e me beijou. Não estava esperando por aquilo, mas foi bom. Me entreguei. Quando dei conta, já estava sem folego.
 - Vá com calma - disse Peter rindo.
 - Eu to calma - disse rindo também. - Senti tanto a sua falta - disse abraçando-o.
 - Eu tambémsenti sua falta, mas... tenho que ir. Já fiquei tempo demais. - disse ele se levantando.
 - Você vai voltar?
 - Eu sempre volto - disse ele sorrindo - Te amo - disse ele antes de partir.
 - Também te amo - disse sorrindo. E então ele se foi, deixando me só, ali no meu quarto, presa em meus pensamentos e em sentimentos de felicidade. Tudo estava bem agora. Tudo ia ficar bem. Sorri e fui para minha janela, o sol estava se pondo. A paisagem era linda. De repente, tudo era lindo novamente - como um dia ensolarado na primavera. 
A dança é um livro para o que sabem ler com o coração. 
 - Raphaela Barreto.

Peter.

Estava eu saindo da escola e indo para a casa. Ao virar a esquina me deparo com um grupo de homens um tanto estranhos. Não estava com um bom pressentimento. Na rua não havia ninguém - coloquei a mão sobre minha pulseira e continuei meu caminho.
 - E ai gatinha - disse um dos homens se aproximando. Droga pensei.
 - O que temos aqui Rich? - disse outro cara em tom sarcástico, conversando com o primeiro. Continuei andando, mas um terceiro homem pegou meu braço e me segurou.
 - Para onde pensa que vai?
 - Se não me soltar irei gritar - disse
 - Grite então - disse Rich rindo. Me preparei para gritar, mas tamparam minha boca. Eu mordi a mão dele e ele me deu um soco. Caí no chão.
 - O que vocês querem? - perguntei com medo.
 - Tudo o que você tem - disse um dos homens. Um deles veio em minha direção e pegou minha bolsa. Eu queria correr, mas estava cercada - havia 6 homens.
 - Felipe, quer ter as honras? - disse Rich para Felipe, se referindo a mim. Um homem, parecia o mais novo, veio em minha direção;
 - Levanta! - disse ele. Eu levantei e ele começou a me puxar.
 - Para onde está me levando? - minha voz transparecia medo. O cara riu. Ele começou a me levar para um galpão. Comecei a gritar.
 - Cala a boca! - disse ele me dando um tapa. Continuei a gritar - Eu mandei você calar a boca! - disse ele me dando um soco no estomago. Parecia que o ar tinha escapado. Cai no chão. Já estávamos dentro do galpão. Ele pegou uma barra de ferro e veio em minha direção.
 - Por favor - disse com lagrimas nos olhos. Lembrei da minha família, do Peter, das minhas amigas... Então a barra de ferro me atingiu. Gritei. A dor era insuportável. Ele bateu na minha perna. Gritei. Então meu pulso começou a arder. A pulseira começou a brilhar. Ele bateu com a barra na minha cabeça. Minha visão começou a escurecer. Estava ansiando pela próxima batida, quando ouvi um barulho. Antes de desmaiar, uma voz familiar chamou meu nome. Peter. Sorri e então, tudo ficou negro. Eu sabia que estava segura agora.