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Crítica sobre o filme 50 tons de cinza

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Nunca fiquei curiosa para ler 50 tons de cinza, sabendo de seua reputação, sadomasoquismo não é o  meu forte . Confesso que minha recepção para com o livro não foi boa, afinal, por que eu leria um livro inspirado em crepúsculo com sexo e sadismo? Pois bem, ao ver o trailer do filme minha curiosidade despertou, apenas o trailer é bem  instigante  (acho que essa é a palavra certa) - afinal todos nós somos carnais. Eu poderia escrever mil coisas sobre o filme, ou melhor, cinquenta  (piadinha tosca) , ou apontar detalhes específicos do filme, mas vou mostrar situações interessantes e, claro, um pouco de psicologia.  Christian Grey é um milionário de sucesso com  gostos peculiares,  enquanto Anastásia é uma garota comum, atrapalhada, tímida e virgem. Christian Grey sente uma atração por ela, e como controlador e conquistador que é, consegue tê-la, sob  suas regras,  mas o que ele não esperava é que Anastásia mudaria algumas regras de seu ...

Escuro

Sim, minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. Embora não aguente bem ouvir um assovio no escuro e passos. Escuridão? Lembro-me de uma namorada: era moça – mulher e que escuridão dentro de seu corpo. Nunca esqueci. Jamais se esquece a pessoa com quem dormiu. O acontecimento fica tatuado em marca de fogo na carne viva e todos os que percebem o estigma fogem com horror. Clarice Lispector

Humano

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A sociedade é injusta por julgar-nos, criar padrões, idealizar beleza, querer decidir por nós. É injusta por criticar, por fazer nos ser quem não queremos, ou fazer a gente pensar que é aquilo que queremos ser. O mundo é injusto por pensar só em dinheiro, por ligar dinheiro a felicidade e por fazer com que pessoas se sintam inferiores que outras. É injusto por isolar aqueles que denominam diferentes dos robôs escravizados que encontramos em qualquer lugar. Não posso dizer que o mundo é cem por cento injusto, mas está ficando cada vez mais difícil achar algo na maioria das pessoas pela qual valha a pena lutar. E o que o ser humano mais aspira, é tornar-se humano. Raphaela Barreto

Verbo ser

Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer. Carlos Drummond de Andrade

Essência

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Crescemos ouvindo histórias de amor verdadeiro e felicidade, mas esqueceram de nos falar o caminho a ser seguido, ou como isso pode perder a importância quando se vira adulto. Quando crianças damos tanto valor as coisas simples e maravilhosas, a verdadeira felicidade que pode surgir do sorriso alheio e a um abraço amigo. E ao crescer passamos a dar valor a números bancários e a mediocridade, o ser humano aspira por amor, mas se dedica aos valores, contas, impostos, compras – consumismo. Esquece-se de sua verdadeira essência, perde a decência, dedica-se ao nada e diz que é feliz por estar na moda. Não, isso não é felicidade. Números não são felicidades. O sol no horizonte, um sorriso, um abraço, amor, isso sim é felicidade. Ajudar o próximo é felicidade. Capitalismo e rotinas deixam você ao avesso, te transformam em quem você não queria, implantam algo em você que traz mais sofrimento do que alegrias. Temos que crescer, isso é fato, mas não podemos deixar de ser crianças por dentro...

Insano

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Ela pediu para que servissem mais um dose de whisky, estava ali a horas parada tentando imaginar o que faria agora. Acendeu um cigarro na noite fria e deixou que a nicotina a invadisse, soluções não caem do céu – pensou ela, e beber também não resolve muita coisa, mas com ela as coisas eram diferentes. Uma carta escrita sempre será melhor a luz da lua com manchas de batom ao canto, do que à luz de uma sala vazia e fria de um hotel com a parte sóbria de seu corpo funcionando. E então lá estava ela escrevendo mais uma carta novamente, estava se considerando já uma escritora de boteco e ela gostava do título. Antes de fechar a conta e sair do pequeno pub abarrotado de móveis antigos pediu a ultima dose, “mais uma moça?” perguntou o garçom intrometido, “a bebida faz a visão se expandir e a insanidade crescer” disse ela depositando o copo vazio no balcão ao lado de umas moedas e um guardanapo dobrado marcado de batom, saindo logo em seguida. Um endereço havia no meio do guardanapo, é c...

Inspiração

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Papéis espalhados sobre a mesa, rascunhos de dias atrás. O notebook está ligado numa página em branco esperando para ser digitada. O café esfria do lado para não queimar-me a boca. Não posso dormir. As ideias surgem. O sorriso aparece. E o desejo insaciável de escrever toma forma em minhas mãos. Finalmente, a inspiração.  Raphaela Barreto

Felicidade

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Caminhei entre as ruas vazias e as vielas silenciosas, as nuvens cobriam a lua e o escuro tomava conta de tudo. Eu sabia que o encontraria ali, sempre tão perdido e distante do mundo cotidiano. Não demorei a enxerga-lo entrando em um beco, a escuridão era mais que absoluta. Segui-o e antes que pudesse chama-lo ele se virou para me encarar, de algum modo sempre sabia quando eu me aproximava. Ele sorriu ao me ver e eu fiz o mesmo, os traços finos e fortes ao mesmo tempo, a pele clara e os olhos esmeralda sempre travessos. Ele me fitou, e nosso olhar já dizia tudo o que queríamos, a distância entre nós foi quebrada, o corpo dele se juntou ao meu e de repente eu já estava presa entre a parede e ele. Os lábios dele se moldaram aos meus, os dedos macios percorrendo-me, a sensação de êxtase se espalhando por meu corpo – e ali um correspondendo o outro como se não houvesse o amanhã, porque se você parar pra pensar na verdade não há, apenas o hoje e o agora importam, o amanhã que fique par...

Noite

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O céu estava negro e só metade da lua dava as caras, o vento era cortante e o silêncio absoluto se não fosse pela musica escutada. Sombras eram mescladas em meio à escuridão. São momentos assim ótimos para refletir e pensar até a loucura aparecer, porque pensar demais enlouquece. Tenho medo ainda do futuro, mas nada que não consiga suportar sozinha, em meio à solidão aprendemos a caminhar com os próprios pés e o silêncio já não passa a ser tão ruim, quase como um amigo, e faço então das palavras de Lispector as minhas: “Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”.