Mergulhe

[...] Estava na praia com o pai, e ele pediu a ela para ver se a temperatura da água estava boa. [...]; ela foi até à beira da água e molhou os pés. “Coloquei os pés, está fria”, disse para ele. O pai pegou-a no colo, caminhou com ela até a beira do mar e, sem qualquer aviso, atirou-a dentro da água. Ela levou um susto, mas depois ficou contente com a brincadeira. “Como está a água?” perguntou novamente o pai, “Está gostosa”, respondeu Brida. “Então, daqui a para frente, quando você quiser saber alguma coisa, mergulhe nela”.
Paulo Coelho,

Brida

Outra Parte


“[...] Em certas reencarnações, nós nos dividimos. Assim como os cristais, e as estrelas, assim como as células e as plantas, também nossas almas se dividem. A nossa alma se tranforma em duas, estas novas almas se transformam em outras duas, e assim, em algumas gerações, estamos espalhados por boa parte da Terra. [...]. Fazemos parte do que os alquimistas chamam de [...] Alma do Mundo. Na verdade, se a Alma do Mundo fosse apenas se dividir, ela estaria crescendo, mas também ficando cada vez mais fraca. Por isso, assim como nos dividimos, também nos reencontramos. E este reencontro chama-se Amor. Porque quando uma alma se divide, ela sempre se divide numa parte masculina e numa parte feminina. [...] Em cada vida temos uma misteriosa obrigação de reencontrar pelo menos uma dessas Outras Partes [...]. Era possível conhecer a Outra Parte pelo brilho nos olhos – assim, desde o início dos tempos, as pessoas reconheciam seu verdadeiro amor. [...]. Podemos encontrar mais de uma Outra Parte em cada vida e quando isto acontece, o coração fica dividido e o resultado é dor e sofrimento. Podemos encontrar três ou quatro Outras Partes, porque somos muitos e estamos espalhados. [...]. A essência da Criação é uma só, e esta essência chama-se Amor. [...]. somos responsáveis por reunir de volta, pelo menos uma vez em cada encarnação, a Outra Parte que com certeza irá cruzar o nosso caminho. Mesmo que seja por instantes, apenas; porque esses instantes trazem um Amor tão intenso que justifica o resto de nossos dias.”
Brida – Paulo Coelho.

Pág. 44.

Noite Escura

“[...] Cada dia o homem é uma noite escura. Ninguém Sabe o que vai acontecer no próximo minuto, e mesmo assim as pessoas andam para frente. Porque confiam, Porque têm Fé. [...] – Importante era saber que ela havia entendido. Que cada momento na vida era um ato de fé. Que podia povoá-lo com cobras e escorpiões, ou com uma força protetora. Que a fé não tinha explicações. Era uma Noite Escura. E cabia a ela apenas aceita-la ou não.”
Paulo Coelho,
Brida


Esfriando


A cada dia sinto que estamos mudando nossas direções, eu indo para um lado, e você para outro. Pare, senta aqui e vamos conversar. Quero que toda nossa parafernália acabe, quero não poder brigar todos os dias. Quero que nosso orgulho diminua, que possamos sorrir todos os dias, ou chorar de alegria e se amar no colchão. Quero que fiquemos bem e com paciência sei que vamos ficar. Amor, o café está quente na mesa, não o deixe esfriar.

Raphaela Barreto 

Na vida de Brida

 [...] Um texto anônimo da Tradição diz que cada pessoa, em sua existência, pode ter duas atitudes: Construir ou Plantar. Os construtores podem demorar anos em suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que estavam fazendo. Então param, e ficam limitados por suas próprias paredes. A vida perde o sentido quando a construção acaba. Mas existem os que plantam. Estes às vezes sofrem com tempestades, as estações e raramente descansam. Mas, ao contrário de um edifício, o jardim jamais para de crescer. E, ao mesmo tempo que exige a atenção do jardineiro, também permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura. Os jardineiros se reconhecerão entre si – porque sabem que na história de cada planta, está o crescimento de toda a Terra.
Paulo Coelho,

Brida

Mude!

Mude, mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a
velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente, observando com
atenção os lugares por onde você passa.

Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,
ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
Depois, procure dormir em outras camas
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete,
outro creme dental...
Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos
óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros,
outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light, mais prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já
conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena !!!

Edson Marques

Ritual

[...] – Não, não estou falando dessas coisas óbvias, falo que tudo é ritual. Assim como uma missa é um grande ritual, composto de várias partes, o dia da vida de qualquer ser humano também o é. Um ritual cuidadosamente elaborado, que ele procura executar com precisão porque tem medo de – caso quebre qualquer parte – tudo vir abaixo. O nome deste ritual é rotina.  [...] Enquanto somos jovens, nada é muito grave. Mas lentamente esse conjunto de rituais diários vai se solidificando, e passa a nos comandar. Uma vez que as coisas comecem a andar mais ou menos como imaginamos, não ousamos mais quebrar o ritual e correr riscos. Fingimos reclamar, mas nos satisfazemos com o fato de um dia ser igual ao outro. Pelo menos não existe o perigo inesperado. Desta maneira conseguimos evitar qualquer crescimento interior ou exterior, exceto aqueles já previstos pelo ritual: tantos filhos, tais promoções, tais conquistas financeiras. Quando o ritual se consolida, o homem passa a ser seu escravo [...].

Paulo Coelho,

As Valkírias.

Sonhos

[...] Dizia que tudo que o mundo precisava era de exemplos, de pessoas capazes de viver seus sonhos e lutar por suas ideias.
Paulo Coelho,

As Valkírias.

Café na poesia

“Antes que a tarde amanheça
e a noite vire dia
põe poesia no café
e café na poesia.”

— 
Paulo Leminski

Paraíso

- Como será este mundo?
 - Será apenas dos que entrarem no Paraíso – respondeu Paulo. – [...] O mundo das pessoas capazes de ver as transformações do presente, das pessoas com coragem de viver seus sonhos, escutar seus anjos. Um mundo de que acreditarem nele.
 - Paulo Coelho,

As Valkírias.

Amar


Amar não é fácil, mas ninguém o vive sem. É uma batalha todo dia, uma demonstração de paciência.  Não se tem paz na vida a dois, ou são sorrisos ou são lágrimas. É complicado e simples ao mesmo tempo e mesmo assim não deixa de ser o melhor da vida. 

Raphaela Barreto

Tentando


Ela tenta ser diferente porque alguma coisa já a cansou, porque precisa que prestem atenção nela. Finge que não liga, mas ela sabe que dói por dentro. Tenta ser a durona, mas sabe que é fraca sozinha. Debocha do amor, mas só sabe escrever sobre ele. Não sabe ser gentil, nem simpática, porque ai seria igual a todos. Perde-se em si mesma e mergulha em vinho e em livros de psicologia para tentar se achar. Ela tenta ser diferente de uma maneira diferente, mas acaba sendo iguais a todos, mas um pouquinho pior: acaba sozinha no final por não admitir quem é.

Raphaela Barreto 

Presente

Julie estava inquieta, mas não entendia o porquê. Há pouco tempo havia visto ele, e a conversa entre os dois ainda ecoava em sua mente. Ele disse que o futuro dos dois era incerto, que talvez chegasse um dia que ele não iria mais voltar, ela negou com a cabeça feito criança e disse vários nãos seguidos, Peter não podia abandona-la, mas a verdade era que os dois eram de mundos diferentes e ela sabia disso. Para ele ficar bem, ela teria que deixa-lo, mas com certeza seria sua ruína. Parece egoísmo, na verdade é, mas ela precisava tê-lo, com a certeza ou a incerteza do que o amanhã significaria, então ela tentava viver só no presente, já que o futuro significava, talvez, a não existência de Julie e Peter.

Raphaela Barreto