Noite


O céu estava negro e só metade da lua dava as caras, o vento era cortante e o silêncio absoluto se não fosse pela musica escutada. Sombras eram mescladas em meio à escuridão. São momentos assim ótimos para refletir e pensar até a loucura aparecer, porque pensar demais enlouquece. Tenho medo ainda do futuro, mas nada que não consiga suportar sozinha, em meio à solidão aprendemos a caminhar com os próprios pés e o silêncio já não passa a ser tão ruim, quase como um amigo, e faço então das palavras de Lispector as minhas: “Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”.

Sonhos de inverno

O vento batia na janela, fazendo a rangir. Eu acordei com o barulho e olhei para os cantos do meu quarto. Nada. Então, de repente a janela se abriu e eu me assustei. Um ar gelado entrou em meu quarto, afinal, estou no inverno. Respiro aquele ar e vejo que a cada expiração sai uma fumacinha branca. Começo a tremer. Peguei minha coberta e a faço de capa e ando até a janela.
- Alguem esta ai? - pergunto para o sombrio jardim além de meu quarto. Não ouço nada, apenas o vento uivando lá fora. Fecho a janela e então tudo volta a ficar quentinho. Viro-me para trás e me assusto.
- Olá Julie, você não deveria estar acordada tão tarde - disse ele naquela voz linda e maravilhosa, aquela voz que sempre me fazia ouvir sininhos.
- Olá Peter e, você não deveria estar tão tarde no meu quarto - eu disse e ele sorriu.
- Ah sim, é verdade, se me pegarem aqui irei sofrer consequencias um tanto dolorosas.
- Então vá, não quero ver você machucado.
- Sim, eu vou. Só vim aqui para lhe desejar bons sonhos garota. - ele veio em minha direção e beijou minha testa. Aquele lábio macio e quente sempre me deixava com desejo de toca-lo com minha boca, mas não podia fazer isso. - Tenhas bons sonhos de inverno Julie. - disse se afastando. Estendi meu braço para toca-lo, para segura-lo não queria que ele fosse. Ele viu este gesto e pegou em minha mão. O toque quente da pele dele fez a minha queimar, mas era bom. - Não se preoucupe Julie, eu irei voltar. Eu sempre volto, basta apenas querer e sonhar. - disso dando um meio sorriso. E depois num passe de magica, sumiu. Sumiu me deixando sozinha. Voltei a deitar e pouco a pouco caí no sono, com sua frase ecoanda em minha cabeça: tenha bons sonhos de inverno garota.

Primeiro post deste blog que deu origem ao nome.
Publiquei-o há dois anos atrás, em meus 14 anos e meio. 

Aniversário


Semana passada o “Sonhos de Uma Madrugada de Inverno” completou 02 anos, e vou contar um pouco da história dele para vocês. Ele surgiu em uma noite comum naqueles dias que não há nada para se fazer e em que a lua está mais que magnifica no céu. Sempre gostei muito de Shakespeare, e a ideia inicial era “Sonhos de uma noite de verão”, mas as coisas ficam melhores de madrugada e o inverno é minha estação preferida. O primeiro post foi um conto de Julie e Peter que hoje estou escrevendo um romance, quem sabe um dia posso publica-lo como livro, temos que sonhar não? Pois bem, quero agradecer a todos que vem acompanhando esse meu cantinho e deixar avisado que o próximo post será o primeiro texto que foi publicado aqui, a origem.

Toca Raul

Caminhava pela rua iluminada com diversos pub's e pessoas por toda parte.
Esse lugar ela conhecia muito bem.
Entrou no pub que mais nostalgias a trazia. Sentou no balcão, pediu uma cerveja e acendeu um cigarro.
A fumaça no ar, a cerveja gelada, a baixa iluminação, as pessoas, as músicas... Que lugar acolhedor. Logo começou a se arrepender das novas escolhas que havia feito. Fechou os olhos, sabia que era o melhor para ela.
Deu uma última tragada, deixou o corpo balançar no ritmo da canção.
Não imaginava o quão difícil seria ter que deixar algumas coisas para trás. Sentiu um aperto no peito, terminou a cerveja em três goles, deixou o dinheiro no balcão e começou a caminhar até a saída. Deixou para trás todas as lembranças da velha vida e pode ouvir pela última vez alguém pedir para tocar Raul.




Amadurecer


O sol batia em meu rosto, o céu estava com um azul magnifico e as nuvens pareciam mais que simples algodões, a brisa suave bagunçava meu cabelo. E ali naquele cenário peguei-me pensando nas ultimas coisas que haviam acontecido em minha vida. De repente eu já não era mais uma garotinha, de repente eu estava fazendo coisas que um dia disse que não faria. Toda uma vida virada ao avesso em menos de um mês. Em uma semana você está de um jeito, amando, se divertindo, com princípios e ideias criados por anos, noutra semana é fria, se preocupa com outras coisas e tem princípios e ideias que jamais passaram por sua cabeça antes, e se passaram você as manteve longe, por não achar serem tão boas assim. Será que isso é amadurecer? Passar a encarar a vida com outros olhos de um jeito que jamais pensou que poderia fazer? Fazer coisas que antes não eram de sua índole? São muitas perguntas em minha mente para poucas respostas e talvez essa seja uma das graças da vida, descobrir as respostas vivendo e enquanto você vai respondendo essas mais uma torrente de outras questões vêm chegando, e assim vamos trilhando nosso caminho, aos tropeços e barrancos, um passo de cada vez, formando nossa história.