Notinha

Uma definição não encontrada no dicionário:
“Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças”.
 - A Menina que Roubava Livros.

Metades incompletas


Caminhei entre as ruas desertas e luminosas entrando no pub familiar. Ao som de AC/DC sentei na cadeira, chamei o garçom e bebi o primeiro gole, a garrafa de Daniel’s se esvaziando conforme a noite passava. Abandonei os quadros Marylin no inicio da madrugada, a lua brilhava no céu e o silêncio era absoluto se não fosse por meus passos. Não demorei a sentir a aproximação dele, o cigarro na boca e a travessura em seu rosto, me envolveu com seu braço e me segurou, tudo estava bem agora e juntos caminhamos de encontro ao desconhecido da noite, com nossas metades incompletas, nos completando.

Roda-Roda


Nos trancos e barrancos eu me mantenho de pé, peguei as chaves do seu carro, me acompanhe se quiser. Nós somos uma nova legião, bordamos nosso nome em uma bela canção. Não quero mais temer a chuva, não quero morrer com duvidas. Vamos dar as mãos e brincar de roda-roda, você é muito jovem, para se preocupar, depois da meia noite uivamos para lua, dançamos na chuva, depois da meia noite. Na TV eu só ouço ruídos, todos os meus livros estão perdido, todos meus discos riscados, ninguém entende o que eu falo. [...] Eu fico ali no canto esperando alguém, me chamar pra dançar, preciso sair dessa cidade, preciso sair para algum lugar.
Música de Bruna Rosa, para ouvir clique aqui.
Uma das melhores dela também.

Completos


Gabriela pegou a coberta e abraçou-o, o sorriso travesso e o olhar entregando os pensamentos. Era maravilhoso para ela poder estar vivendo tudo aquilo, as risadas, as brincadeiras e os apelidos faziam tudo ficar ainda melhor. Deitou ao lado dele, apenas sorrindo, como se apenas existisse ambos no mundo, porque o lá fora já não importava naquele momento. Entre risadas se beijavam, aquela coisa toda de casal que só aparece em filmes. E apesar de tudo, o sono gritava dentro deles. Não demorou para que a inconsciência viesse, e abraçados entraram no mundo dos sonhos. Um corpo aquecendo o outro, onde um terminava o outro começava, e a sensação de completo pairava sobre o cômodo. Tudo parecia estar em seu devido lugar agora, eles estavam aonde deveriam estar, apenas vivendo o momento e transpirando felicidade. Engana-se quem diz que está bem sozinho, o ser humano não foi feito para viver sem sua metade.

Dirija até a lua

Perdido ele me encontra atravessando a rua, pegue o seu carro e dirija em direção a lua. Sem sentido é o que eu digo, sem saber, você está no mesmo lugar que eu. Pegue o seu carro e dirija agora, aumente o som do rádio, pois você está no mesmo lugar que eu. Pegue seu parceiro e comece a dançar, cantarolar aquela canção que te faz lembrar de mim. Do sol das estrelas, lua cheia, das manhãs mais lindas que eu já vi. Pegue o seu carro...
Música da Bruna Rosa, para ouvir clique aqui.
É uma das melhores dela.

Felicidade



O céu lá fora sorri para mim enquanto os matineiros raios solares me aquecem. O mundo parece tão grande, mas tudo o que preciso está perto de mim. Resolvo então fazer as pazes com a vida e sorrir sem motivo nenhum, existe beleza ainda nesse caos chamado Terra. Existe ainda coisas simples para se ver, mas de beleza tão complexa. Temos sentimentos para sentir que por eles daria minha vida e tenho vida em minhas mãos. Quero pegar um violãozinho, acender uma fogueira e por entre as fumaças rir, porque eu sei que tudo está bem. Eu sei que sorrir com a alma é maravilhoso, e que a felicidade contagie todos.

Saudades do Tempo


Saudades do Tempo, dos velhos momentos, dos anos passados que foram com o vento. Sorrisos, lembranças, belos sentimentos de transformações e de renascimentos. Praias, viagens pela madrugada, nossa rotina era o pé na estrada, sempre felizes sem pensar em nada, paisagem mais bela é o sorriso da amada. Contava as estrelas manto prateado, sentia o calor de um abraço apertado, fazia minha boca tocar o seu lábio, lua iluminava com um Bob no rádio. Nas manhãs nubladas, bom humor imperava, a vida era um jogo, sem cartas marcadas. À noite no fogo, um bom som que rolava, por entre a fumaça, diversas risadas. Como se seus ouvidos pudessem respirar, o som invadia o corpo, como se fosse o ar, o som tomava forma, sensação de bem estar, momentos de magia, muitas formas para amar. Marcas de batom na borda de um copo plástico, no peito euforia, abraços, riso fácil e com desconhecidos seguia criando laços, transpirava alegria era dona dos seus passos. Consciência admirável como as tintas de uma tela, seus olhos tinham o brilho das cores da aquarela, seu cabelo ao vento era a paisagem mais bela, tinha a complexidade de uma Vênus moderna. Ascendeu ao azul do céu nos seus próprios pensamentos, não pensou no seu futuro, ela era o momento. Vi a ponta dos seus pés no gelado do cimento entre olhares meu desejo, povoar seu pensamento.
Maneva